Conflito no Médio Oriente: Guerra entre EUA, Israel e Irão Pode Abalar Economias Africanas e Disparar o Preço do Petróleo

Escalada militar entre EUA, Israel e Irão provoca alta de 13% no petróleo e ameaça economias africanas, inflação global e rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz e o Canal do Suez.

Mar 2, 2026 - 03:33
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Conflito no Médio Oriente: Guerra entre EUA, Israel e Irão Pode Abalar Economias Africanas e Disparar o Preço do Petróleo
Aatque das forças aéreas israelitas e americanas contra Teerão na noite passada

A escalada do conflito no Médio Oriente está a gerar preocupação internacional e pode ter efeitos diretos nas economias africanas. A tensão entra hoje no terceiro dia, após uma ofensiva militar coordenada entre os Estados Unidos e Israel contra o Irão no fim de semana.

O líder supremo iraniano, Ali Khamenei, no poder desde 1989, morreu durante os bombardeamentos. A resposta de Teerão foi imediata: o Irão lançou uma série de mísseis contra bases norte-americanas em oito países da região Qatar, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Israel. Algumas dessas ofensivas terão atingido zonas residenciais.

Washington e Telavive afirmam que as operações militares, denominadas “Fúria Épica” e “Leão Rugido”, têm como objetivo derrubar o regime iraniano e neutralizar a sua capacidade militar. Dados preliminares indicam que mais de 200 pessoas terão morrido em território iraniano.

No domingo (01.03), foi empossado em Teerão um Conselho de Transição para gerir o país neste período de instabilidade. O presidente Masoud Pezeshkian integra o órgão. A nomeação de um novo líder supremo poderá ocorrer nos próximos dias.

A Guarda Revolucionária Iraniana prometeu vingança e voltou a lançar mísseis contra posições norte-americanas durante a noite.

Operações militares devem intensificar-se

O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e o presidente norte-americano Donald Trump alertaram que o conflito poderá prolongar-se e garantiram que os ataques serão intensificados “no coração de Teerão”.

Trump apelou às forças iranianas para deporem as armas sob promessa de imunidade, advertindo para consequências severas em caso de resistência. Netanyahu prometeu “destruir completamente o regime de terror” no Irão.

Perante o risco de expansão do conflito, Alemanha, França e Reino Unido admitem envolver-se militarmente caso os seus interesses sejam ameaçados, em coordenação com Washington e Telavive.

O primeiro-ministro britânico Keir Starmer afirmou que o Reino Unido poderá assumir um papel mais ativo, invocando a autodefesa coletiva e a proteção de cidadãos britânicos.

A União Europeia decidiu reforçar a sua missão naval no Mar Vermelho com o envio de dois navios franceses, receando impactos no tráfego marítimo internacional.

Guerra económica com impacto em África

Especialistas alertam que o conflito ultrapassa a dimensão militar e pode transformar-se numa guerra económica com consequências globais.

Em entrevista à Deutsche Welle, o economista guineense Carlos Lopes destacou o risco de bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde circula cerca de 20% do petróleo mundial. Um eventual encerramento teria impacto imediato nos preços, pressionando a inflação global e provocando desequilíbrios económicos profundos.

Países africanos como o Egito podem ser particularmente afetados, devido à importância estratégica do Canal do Suez. Por outro lado, a África do Sul poderá beneficiar do redirecionamento de rotas marítimas, enquanto Angola pode lucrar com a subida do preço do petróleo.

Carlos Lopes considera que o mundo enfrenta “um abalo profundo” cujos efeitos ainda são difíceis de medir.

Os mercados financeiros já reagiram: o preço do petróleo subiu 13% na abertura desta segunda-feira, refletindo a crescente incerteza no Médio Oriente.

fontes:

https://www.dw.com/pt-002/conflito-no-m%C3%A9dio-oriente-pode-abalar-economias-africanas/a-76179293

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